CESAR VENEZIANI
de marcas
deixei os filhos
com suas próprias impressões digitais
de mensagens
deixei meus versos
uns criativos, outros banais
de tristes
deixei meus erros
que esqueci há tempos lá atrás
e surpreso
deixei a mim mesmo
ao encontrar o amor que não esperava mais
terça-feira, 10 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
Temas e sarau de sábado: 07/11/2009
.
Caros amigos Rascunheiros. Hoje tivemos como criação temas com textos de Cecília Meireles.
História de bem-te-vi
Cecília Meireles
Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa só de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas antigüidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e "querejuás todos azuis de cor tiníssima...". Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
E é pena, pois com esse nome que tem - e que é a sua própria voz - devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.
O que me leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: "...te-vi! ...te-vi", com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão - como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? - animou-se a uma audácia maior Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: "...vi! ...vi! ...vi! ..." o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol - que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam os lemas dos seus brasões? Talvez tenha sido atacado por esses crioulos fortes que agora saem do mato de repente e disparam sem razão nenhuma no primeiro indivíduo que encontram.
Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar E cantava assim: "Bem-bem-bem...te-vi!" Pensei: "É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!..." Depois, o passarinho mudou. E fez: "Bem-te-te-te... vil" Tornei a refletir: "Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando..." E o passarinho: "Bem-bem-bem...te¬te-te... vi-vi-vi!"
Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: "Que engraçado! Um bem-te-vi gagol"
(É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)
Texto extraído do livro "Escolha o seu sonho", Editora Record - Rio de Janeiro, 2002, pág. 53.
_______________________________________________________________________________
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Cecília Meireles
_________________________________________________________________________________
Aqui está minha vida.
Esta areia tão clara com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herença,
este mar solitário
que de um lado era amor e, de outr,
esquecimento.
Cecília Meireles
__________________________________________________________________________
E tivemos como presença os amigos rascunheiros: Claire, Renata, Marlene,Luiz Roberto, Vitória Paterna, Lu de Souza e eu, Osvaldo. Correu tudo bem, com criação, leitura e sarau. Abraços e sucesso a todos amigos rascunheiros.
Caros amigos Rascunheiros. Hoje tivemos como criação temas com textos de Cecília Meireles.
História de bem-te-vi
Cecília Meireles
Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa só de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas antigüidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e "querejuás todos azuis de cor tiníssima...". Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
E é pena, pois com esse nome que tem - e que é a sua própria voz - devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.
O que me leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: "...te-vi! ...te-vi", com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão - como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? - animou-se a uma audácia maior Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: "...vi! ...vi! ...vi! ..." o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol - que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam os lemas dos seus brasões? Talvez tenha sido atacado por esses crioulos fortes que agora saem do mato de repente e disparam sem razão nenhuma no primeiro indivíduo que encontram.
Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar E cantava assim: "Bem-bem-bem...te-vi!" Pensei: "É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!..." Depois, o passarinho mudou. E fez: "Bem-te-te-te... vil" Tornei a refletir: "Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando..." E o passarinho: "Bem-bem-bem...te¬te-te... vi-vi-vi!"
Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: "Que engraçado! Um bem-te-vi gagol"
(É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)
Texto extraído do livro "Escolha o seu sonho", Editora Record - Rio de Janeiro, 2002, pág. 53.
_______________________________________________________________________________
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Cecília Meireles
_________________________________________________________________________________
Aqui está minha vida.
Esta areia tão clara com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herença,
este mar solitário
que de um lado era amor e, de outr,
esquecimento.
Cecília Meireles
__________________________________________________________________________
E tivemos como presença os amigos rascunheiros: Claire, Renata, Marlene,Luiz Roberto, Vitória Paterna, Lu de Souza e eu, Osvaldo. Correu tudo bem, com criação, leitura e sarau. Abraços e sucesso a todos amigos rascunheiros.
sábado, 7 de novembro de 2009
manhã abafada
.
que se alarga
nas passadas
dos apressados
congestionados
nos prazeres
e desejos
acumulados
em infinitos sonhos
rascunhados
e elaborados
por preconceitos
abortados
nunca realizados
27.02.2002
pastorelli
que se alarga
nas passadas
dos apressados
congestionados
nos prazeres
e desejos
acumulados
em infinitos sonhos
rascunhados
e elaborados
por preconceitos
abortados
nunca realizados
27.02.2002
pastorelli
domingo, 1 de novembro de 2009
Dó Si Sol
CESAR VENEZIANI
o rock antigo alegre
contrasta com o eu triste
hoje sou tango arrastado
de tanto angustiado
que te espero
sou bolero, samba canção
até o momento de nossa união
quando numa alegria sem igual
seremos marchinha de carnaval
o rock antigo alegre
contrasta com o eu triste
hoje sou tango arrastado
de tanto angustiado
que te espero
sou bolero, samba canção
até o momento de nossa união
quando numa alegria sem igual
seremos marchinha de carnaval
Vela Apagada
CESAR VENEZIANI
vela apagada sem luz
terço de contas sem cruz
vaso vazio sem a flor
altar, rés do chão sem ardor
oração sem coração
fé que se finge ilusão
fé sem noção, sem motivo
morto que ainda está vivo
vela apagada sem luz
terço de contas sem cruz
vaso vazio sem a flor
altar, rés do chão sem ardor
oração sem coração
fé que se finge ilusão
fé sem noção, sem motivo
morto que ainda está vivo
Devassidão
CESAR VENEZIANI
Devassidão ou doença?
Talvez a crença
na felicidade pela pele...
Traição ou busca?
Talvez a justa procura em si
do que não sabe...
Castigo ou perdão?
Talvez não mereça
nem atenção nem alarde...
Devassidão ou doença?
Talvez a crença
na felicidade pela pele...
Traição ou busca?
Talvez a justa procura em si
do que não sabe...
Castigo ou perdão?
Talvez não mereça
nem atenção nem alarde...
Lutas
CESAR VENEZIANI
O que foi feito dos ideais?
O que foi feito das lutas?
Hoje não se busca mais
mudar padrões de conduta...
Hoje é a internet
e o mundo virtual.
O jovem se diverte,
é alienado social.
Nos anos 50 o modelo
era a figura de James Dean.
E qual será hoje o apelo
da geração teen?
O nada é meu medo
e tudo terminar assim...
O que foi feito dos ideais?
O que foi feito das lutas?
Hoje não se busca mais
mudar padrões de conduta...
Hoje é a internet
e o mundo virtual.
O jovem se diverte,
é alienado social.
Nos anos 50 o modelo
era a figura de James Dean.
E qual será hoje o apelo
da geração teen?
O nada é meu medo
e tudo terminar assim...
Fotos de 30-10-2009
Temas do sábado, dia 30/10/2009

Neste sábado os temas sugeridos para a criação nos Rascunhos Poéticos foram baseados nos anos 50.
Sendo assim, o primeiro deles foi uma fotografia do James Dean, o segundo um trecho da "Dama do Lotação", do livro "A vida como ela é" de Nelson Rodrigues e o terceiro a música "Tutti Frutti" do Little Richard!
Este é o trecho do "Dama do Lotação" utilizado:
O DEFUNTO
Entrou no quarto, deitou-se na cama, vestido, de paletó, colarinho, gravata, sapatos. Uniu bem os pés; entrelaçou as mãos, na altura do peito; e assim ficou. Pouco depois, a mulher surgiu na porta. Durante alguns momentos esteve imóvel e muda, numa contemplação maravilhada. Acabou murmurando:
— O jantar está na mesa.
Ele, sem se mexer, respondeu:
— Pela ultima vez: morri. Estou morto.
A outra não insistiu. Deixou o quarto, foi dizer à empregada que tirasse a mesa e que não faziam mais as refeições em casa. Em seguida, voltou para o quarto e lá ficou. Apanhou um rosário, sentou-se perto da cama: aceitava a morte do marido como tal; e foi como viúva que rezou. Depois do que ela própria fazia nos lotações, nada mais a espantava. Passou a noite fazendo quarto. No dia seguinte, a mesma cena. E só saiu, à tarde, para sua escapada delirante, de lotação. Regressou horas depois. Retomou o rosário, sentou-se e continuou o velório do marido vivo.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Barraca da Fruta Doce
CESAR VENEZIANI
Vendo fruta fresca, quem vai querer?
Na laranja, tira a casca que fica a vitamina C.
O kiwi é importado, não tem aqui.
O melão, docinho, ta muito bom!
E a uva, maluco? Come em natura ou faz um suco!
- Deixa eu provar uma ameixa?
- Fique à vontade! Prove um morango mais tarde!
Vendo fruta, torno tua vida doce.
(A se minha vida assim fosse!
Sem você segue amarga,
dura paga do destino...)
Vendo fruta fresca, quem vai querer?
Na laranja, tira a casca que fica a vitamina C.
O kiwi é importado, não tem aqui.
O melão, docinho, ta muito bom!
E a uva, maluco? Come em natura ou faz um suco!
- Deixa eu provar uma ameixa?
- Fique à vontade! Prove um morango mais tarde!
Vendo fruta, torno tua vida doce.
(A se minha vida assim fosse!
Sem você segue amarga,
dura paga do destino...)
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
há nesta manhã de inverno
.
uma gota de sangue
a percorrer toda a avenida
dando à Paulista
um sabor saudoso
uma gota de sangue
em cada palavra de sentimento
a diluir nos poros
a dor do esquecimento
uma gota de sangue
a me segurar nesta irregular
calçada navegando
como navio em mar bravio
uma gota de sangue
que me segura
me arrasta
a refletir o amor
nos out-doors
como lança
que no peito traça
a indelével marca
do desamor
me seguindo
28.06.02
pastorelli
uma gota de sangue
a percorrer toda a avenida
dando à Paulista
um sabor saudoso
uma gota de sangue
em cada palavra de sentimento
a diluir nos poros
a dor do esquecimento
uma gota de sangue
a me segurar nesta irregular
calçada navegando
como navio em mar bravio
uma gota de sangue
que me segura
me arrasta
a refletir o amor
nos out-doors
como lança
que no peito traça
a indelével marca
do desamor
me seguindo
28.06.02
pastorelli
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
TEMAS - 17/10/2009
.
Pessoas,
.
Quando o cara é mestre só pode sair coisa boa, tanto na produção quanto na provocação : os temas deste sábado dia 17 de Outubro de 2009 foram 3 fotos do papa Henri Cartier-Bresso. Deleite garantido.
.
Seguem na sequência as imagens para quem ousar (como nós) a criação.
.
Bjs e abçs,
CD
.
FOTOS DE 17/10/2009
FOTOS DE 10/10/2009
Poxa,
.
... dia para ficar abobalhado é assim mesmo : começamos ao som de Ravel, Beethoven e Vivaldi (respeitosamente reproduzidos no som "bolinha") e terminamos ao som ao vivo e à cores de Brau Mendonça. Mais ainda : com o convite feito por Lu Souza para participarmos do Caldeirão Cultural da Cooperifa (dia 24 de Outubro, no CEU Campo Limpo) !
.
Vejam as fotos aí abaixo (e viagem no som, não do silêncio, mas naquele que vossa imaginação permitir).
.
Bjs e abçs
CS
.
FOTOS DE 03/10/09
.
Galera,
Lá vão as fotos de 03 de Outubro de 2009, coloridas e em sépia.
Bjs e abçs
CS
.
domingo, 18 de outubro de 2009
Beco
CESAR VENEZIANI
Conto, num beco, num canto,
a um gato atento e tácito,
com um cinismo insensato e ácido,
o fracasso de um desencanto.
E o gato, fingindo atenção,
me ouve em silêncio, calado.
Não fala sequer um miado,
Não quer me passar um sermão!
E eu, todo fraco, falido,
não ligo: um desabafo desato.
Me xingo, eu me desacato,
num discurso sem sentido.
E o dia, indiferente,
pare a luz e a noite mata.
E a solidão, insensata,
é um gato à minha frente.
Conto, num beco, num canto,
a um gato atento e tácito,
com um cinismo insensato e ácido,
o fracasso de um desencanto.
E o gato, fingindo atenção,
me ouve em silêncio, calado.
Não fala sequer um miado,
Não quer me passar um sermão!
E eu, todo fraco, falido,
não ligo: um desabafo desato.
Me xingo, eu me desacato,
num discurso sem sentido.
E o dia, indiferente,
pare a luz e a noite mata.
E a solidão, insensata,
é um gato à minha frente.
Missão
CESAR VENEZIANI
Qual heróico mensageiro,
ligeiro cumpro a missão.
Nas mãos trago a encomenda.
Entenda, toda missão é sagrada,
palavra de honra empenhada,
e nada me faz não cumpri-la.
Pego fila, ando ao relento,
lento ou com bastante empenho,
tenho um dever a cumprir.
Sorrir sempre, mesmo sozinho,
levando ouro ou garrafas de vinho!
Qual heróico mensageiro,
ligeiro cumpro a missão.
Nas mãos trago a encomenda.
Entenda, toda missão é sagrada,
palavra de honra empenhada,
e nada me faz não cumpri-la.
Pego fila, ando ao relento,
lento ou com bastante empenho,
tenho um dever a cumprir.
Sorrir sempre, mesmo sozinho,
levando ouro ou garrafas de vinho!
Curvas
CESAR VENEZIANI
Lá nas curvas do esquecimento,
onde longe deixei quem fui,
o sonho tornou-se lamento,
castelo de cartas que rui.
E hoje vem o pesadelo
que mostra o fantasma que sou
por ter renegado o modelo
que a essência em criança mostrou.
Então vou ao meu labirinto
buscar minha essência perdida.
Fazer do que quero o que sinto,
tornar verdadeira esta vida!
Lá nas curvas do esquecimento,
onde longe deixei quem fui,
o sonho tornou-se lamento,
castelo de cartas que rui.
E hoje vem o pesadelo
que mostra o fantasma que sou
por ter renegado o modelo
que a essência em criança mostrou.
Então vou ao meu labirinto
buscar minha essência perdida.
Fazer do que quero o que sinto,
tornar verdadeira esta vida!
sábado, 17 de outubro de 2009
POÇÃO DE AMOR
I
Caçar palavras perseguindo
o Bolero intraduzível de Maurice,
quantos bons meninos
escondem punhais facínoras?
nos diversos palcos, sigo passos
assobios e com
passos
...percorro rios
caio levanto ressuscito
construo um equilíbrio
nas asas do imaginário
com exclusividade de ave livre
mormaço em teto de zinco
palavras são sopradas quentes
para quem quiser quebrar
nossos ossos
numa chuva clássica de pedradas
resgata-se na partitura circular
pores de sóis que se repetem
na memória
no engolir da náusea
nos braços das ilusões
no túmulo da linguagem
d’alguma outra lenda
me refaço ramo visceral
com duas faces e uma lâmina oculta
corto raízes que não são firmes
invejo os ouvidos das paredes
nas mãos da indiferença
adormeço com olhos sempre-abertos
sangro na explosão de ironias
II
Alguns desejam matar a poesia...
periférica imatura e até a mais robusta
e se dizem poetas
sem enxergar nas veias
o tamanho do amor no mundo
assinalando uma porção do desamor
mergulham a dor
no espelho naufragando mais e mais
e
quando a pena não apaga o desespero
: tenho o maior dó.
Rosangela_Aliberti
Caçar palavras perseguindo
o Bolero intraduzível de Maurice,
quantos bons meninos
escondem punhais facínoras?
nos diversos palcos, sigo passos
assobios e com
passos
...percorro rios
caio levanto ressuscito
construo um equilíbrio
nas asas do imaginário
com exclusividade de ave livre
mormaço em teto de zinco
palavras são sopradas quentes
para quem quiser quebrar
nossos ossos
numa chuva clássica de pedradas
resgata-se na partitura circular
pores de sóis que se repetem
na memória
no engolir da náusea
nos braços das ilusões
no túmulo da linguagem
d’alguma outra lenda
me refaço ramo visceral
com duas faces e uma lâmina oculta
corto raízes que não são firmes
invejo os ouvidos das paredes
nas mãos da indiferença
adormeço com olhos sempre-abertos
sangro na explosão de ironias
II
Alguns desejam matar a poesia...
periférica imatura e até a mais robusta
e se dizem poetas
sem enxergar nas veias
o tamanho do amor no mundo
assinalando uma porção do desamor
mergulham a dor
no espelho naufragando mais e mais
e
quando a pena não apaga o desespero
: tenho o maior dó.
Rosangela_Aliberti
terça-feira, 13 de outubro de 2009
ARROZ COM FEIJÃO
Já provei tanto o gosto
de um mesmo poema
já participei de festas
com luxúria e a santa gula
que palavras mortas
saltam da boca
com o mesmo ácido
que soterro os ossos dos versos
de outrem
durante a digestão
após a hora do jantar.
Rosangela_Aliberti
Atibaia, 13 de outubro de 2009
de um mesmo poema
já participei de festas
com luxúria e a santa gula
que palavras mortas
saltam da boca
com o mesmo ácido
que soterro os ossos dos versos
de outrem
durante a digestão
após a hora do jantar.
Rosangela_Aliberti
Atibaia, 13 de outubro de 2009
[Com um punhal entre os dentes]
Só sei dizer
que uma puta pariu
um fruto do mundo
bem-vindo
jogando parte de seu DNA
na lata do lixo
acolhido como maldito
por não ter nascido
filho de um popstar.
Rosangela_Aliberti
Atibaia, 13 de outubro de 2009
que uma puta pariu
um fruto do mundo
bem-vindo
jogando parte de seu DNA
na lata do lixo
acolhido como maldito
por não ter nascido
filho de um popstar.
Rosangela_Aliberti
Atibaia, 13 de outubro de 2009
[Quando crescer será locutor de rádio]
É isso aí
tédio é vento batendo
no dedão em meia furada
e o mesmo repertório musical
se repetindo inúmeras vezes
nos meses nos anos
é óbvio que quatro por quatro
menos três vezes o três
será igual a sete
sem o risco do meio
e pouco tesão por Dali...
faltam cambucis e neurônios
no bairro
(tem muito gelo
naquela água de coco)
Há um sorriso provocador
e omisso
na falta de compromisso
...o sujeito oculto
não percebe que necessariamente
o lirismo não deve estar presente
sempre nisto ou naquilo,
Devido as leituras críticas
da língua apimentada
tédio é vento batendo
no dedão em meia furada
e o mesmo repertório musical
se repetindo inúmeras vezes
nos meses nos anos
é óbvio que quatro por quatro
menos três vezes o três
será igual a sete
sem o risco do meio
e pouco tesão por Dali...
faltam cambucis e neurônios
no bairro
(tem muito gelo
naquela água de coco)
Há um sorriso provocador
e omisso
na falta de compromisso
...o sujeito oculto
não percebe que necessariamente
o lirismo não deve estar presente
sempre nisto ou naquilo,
Devido as leituras críticas
da língua apimentada
entre as nuances
nas suas mudanças lunares
da mais pura arte da viadagem
da mais pura arte da viadagem
deveria ser assim ou assado
mas não será
domingo, 11 de outubro de 2009
TEMAS - 10/10/2009
Pessoas,
Ontem, dia 10 de Outubro de 2009, tivemos três temas musicais para provocar-nos. Foram três temas eruditos que, de tão populares, praticamente figuram no imaginário musical de todos nós. Foram eles o Bolero de Ravel, a 5ª Sinfonia de Beethoven (1ª movimento) e a Primavera de Vivaldi (1º movimento).
Logo mais linco aqui o áudio das músicas ou alguma apresentação em vídeo destas composições.
Boa poesia a todos !
Bjs e abçs
CS
Ontem, dia 10 de Outubro de 2009, tivemos três temas musicais para provocar-nos. Foram três temas eruditos que, de tão populares, praticamente figuram no imaginário musical de todos nós. Foram eles o Bolero de Ravel, a 5ª Sinfonia de Beethoven (1ª movimento) e a Primavera de Vivaldi (1º movimento).
Logo mais linco aqui o áudio das músicas ou alguma apresentação em vídeo destas composições.
Boa poesia a todos !
Bjs e abçs
CS
TEMAS ATRASADOS - 03/10/2009
Galera,
Seguem alguns temas atrasados, mas não negados.
No sábado dia 03 de Outubro de 2009 tivemos três poemas de múcio de Lima Góes nos provocando, dois do livro Grãos ao Alto e um do livro O Avesso e o Verso.
São eles :
__________________
tem dia
que não tem remédio
não importa o som
nem a cor do batom
nada sai inteiro
é tudo médio
tudo bom?
tudo tédio!
Múcio de Lima Góes
__________________
META-LINGUAGEM
a meta
da língua
linguagem.
o sal
e a saliva
quando agem.
pra quem saca
do tema,
isso acaba
em poema
ou
sacanagem.
Múcio de Lima Góes
_______________
ECO
quando você
não está,
o meu silêncio
fala mais alto;
quando você
faz falta,
eu falto.
Múcio de Lima Góes
________________
Boa poesia para todos !
Bjs e abçs
CS
Seguem alguns temas atrasados, mas não negados.
No sábado dia 03 de Outubro de 2009 tivemos três poemas de múcio de Lima Góes nos provocando, dois do livro Grãos ao Alto e um do livro O Avesso e o Verso.
São eles :
__________________
tem dia
que não tem remédio
não importa o som
nem a cor do batom
nada sai inteiro
é tudo médio
tudo bom?
tudo tédio!
Múcio de Lima Góes
__________________
META-LINGUAGEM
a meta
da língua
linguagem.
o sal
e a saliva
quando agem.
pra quem saca
do tema,
isso acaba
em poema
ou
sacanagem.
Múcio de Lima Góes
_______________
ECO
quando você
não está,
o meu silêncio
fala mais alto;
quando você
faz falta,
eu falto.
Múcio de Lima Góes
________________
Boa poesia para todos !
Bjs e abçs
CS
Violinos
CESAR VENEZIANI
violinos vivaldinos
criam do clima
em claves clássicas
música mística
que soa suave e sensível
e nos traz toda a paz
violinos vivaldinos
criam do clima
em claves clássicas
música mística
que soa suave e sensível
e nos traz toda a paz
sábado, 3 de outubro de 2009
Coito Verbal
CESAR VENEZIANI
a língua lambe o verbo
arrrepia o som
e o símbolo assume o signo
que se grafa no papel
quem ouve ou escreve
quem fala ou lê
logo sente o frêmito
da mensagem em penetração
do gozo do entendimento
a língua lambe o verbo
arrrepia o som
e o símbolo assume o signo
que se grafa no papel
quem ouve ou escreve
quem fala ou lê
logo sente o frêmito
da mensagem em penetração
do gozo do entendimento
Eco
CESAR VENEZIANI
sua ausência
me deixa na iminência
da demência
é silêncio que grita calado
é imenso gigante pesado
mesmo sendo ausente
seu nada se faz presente
eco em meu coração vazio
estio de tudo que prezo
rezo em revolta
volta, volta, volta, volta...
sua ausência
me deixa na iminência
da demência
é silêncio que grita calado
é imenso gigante pesado
mesmo sendo ausente
seu nada se faz presente
eco em meu coração vazio
estio de tudo que prezo
rezo em revolta
volta, volta, volta, volta...
Tédio
CESAR VENEZIANI
da janela do meu prédio
olho, olho e nada vejo
só tédio
tomo então um remédio
mas nada cura
esse tédio
penso em amor, me vem o assédio
tudo o que sinto é nada
só tédio
não sou bom nem mau, sou médio
como é medíocre
esse tédio
da janela do meu prédio
olho, olho e nada vejo
só tédio
tomo então um remédio
mas nada cura
esse tédio
penso em amor, me vem o assédio
tudo o que sinto é nada
só tédio
não sou bom nem mau, sou médio
como é medíocre
esse tédio
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
A GARUPA
Mudando de assunto... quando se tem que pôr o pé na estrada... vestidos esvoaçantes de voal não saem do guarda-roupa, nada mais companheiro nas altas empreitadas do que um par de botinas de couro ou um jeans surrado.
Como não é fácil respeitar todas opiniões, afirmo que é difícil ser anjo: ponderar a hora exata para não intervir em nada, esquecer os conselhos “úteis” em casa, desmanchar conceitos e tabus. Mantendo a autoconfiança e o bom humor nos instantes mais desastrosos porque nem todos costumam distinguir os exemplos da experiência dos que sentem o peso da sabedoria nas costas... o quanto é bom se ver um eterno três “is”: ignorante, inocente e ignorado... porque anjo que é anjo reconhece a beleza dos mais simples, vive na(s) sombra(s), não treme de medo e de frio na falta de luz e presença dos perigos, não torce o nariz para o lixo antiético, tem estômago para não se incomodar com pensamentos medonhos, tutano pra esperar a união das fraturas expostas.
Anjos tem culhões! Inesperadamente, passam por cima dos momentos de excitação para ajudar alguém, deve ser como entrar de pêndulo sobre dois pneus fixos no asfalto, numa moto... a mais de cento e vinte km/h e no final da curva encontrar um outro candidato que estacionará no corredor de algum pronto socorro.
Nem tudo é leveza na cidade dos anjos: na realidade, as asas da imaginação nem sempre são as nossas melhores amigas.
Rosangela Aliberti
Atibaia, 29 de setembro de 2009.
Como não é fácil respeitar todas opiniões, afirmo que é difícil ser anjo: ponderar a hora exata para não intervir em nada, esquecer os conselhos “úteis” em casa, desmanchar conceitos e tabus. Mantendo a autoconfiança e o bom humor nos instantes mais desastrosos porque nem todos costumam distinguir os exemplos da experiência dos que sentem o peso da sabedoria nas costas... o quanto é bom se ver um eterno três “is”: ignorante, inocente e ignorado... porque anjo que é anjo reconhece a beleza dos mais simples, vive na(s) sombra(s), não treme de medo e de frio na falta de luz e presença dos perigos, não torce o nariz para o lixo antiético, tem estômago para não se incomodar com pensamentos medonhos, tutano pra esperar a união das fraturas expostas.
Anjos tem culhões! Inesperadamente, passam por cima dos momentos de excitação para ajudar alguém, deve ser como entrar de pêndulo sobre dois pneus fixos no asfalto, numa moto... a mais de cento e vinte km/h e no final da curva encontrar um outro candidato que estacionará no corredor de algum pronto socorro.
Nem tudo é leveza na cidade dos anjos: na realidade, as asas da imaginação nem sempre são as nossas melhores amigas.
Rosangela Aliberti
Atibaia, 29 de setembro de 2009.
SEM PALAVRAS
entre sins e os nãos
nada tinha da fada verde
não chegava nem aos pés
de nenhum talvez
por mais que se esforçasse
não criava asas
não atravessava portais
nem destravava velhas
correntes
sua mente desocupada
não diluía destilações de
veneno
de ausente humildade,
não via além dos espelhos
com o olhar de
“narciso é o Paraíso”
e mesmo assim acreditava
ser um dos benditos frutos de
Abismo e Absinto.
Rosangela Aliberti
Atibaia, 29 de setembro de 2009.
nada tinha da fada verde
não chegava nem aos pés
de nenhum talvez
por mais que se esforçasse
não criava asas
não atravessava portais
nem destravava velhas
correntes
sua mente desocupada
não diluía destilações de
veneno
de ausente humildade,
não via além dos espelhos
com o olhar de
“narciso é o Paraíso”
e mesmo assim acreditava
ser um dos benditos frutos de
Abismo e Absinto.
Rosangela Aliberti
Atibaia, 29 de setembro de 2009.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
A NOIVA DO VAMPIRO
O que cala o suor dos lábios
da flor de laranjeira?
Na casa do demônio
ela não sorria
nada tinha a fazer
não abria a boca
diante da tortura
despertava frígida
dinamitada diante de tantos
bacanais da fanfarronice
não se animava a ser sugada
não gemia
perdia o doce mel das pétalas
nas papilas das línguas.
E apesar de toda a sua crueldade
o diabo pensava exalar Poesia
com o seu arsenal de perfumes
na penteadeira, não alcançava
nem o odor de jasmim artificial
nas axilas
somente conseguia
massagear seu próprio ego
e deitar mentiras
sobre os papéis.
Rosangela Aliberti
Atibaia, 29 de setembro de 2009.
da flor de laranjeira?
Na casa do demônio
ela não sorria
nada tinha a fazer
não abria a boca
diante da tortura
despertava frígida
dinamitada diante de tantos
bacanais da fanfarronice
não se animava a ser sugada
não gemia
perdia o doce mel das pétalas
nas papilas das línguas.
E apesar de toda a sua crueldade
o diabo pensava exalar Poesia
com o seu arsenal de perfumes
na penteadeira, não alcançava
nem o odor de jasmim artificial
nas axilas
somente conseguia
massagear seu próprio ego
e deitar mentiras
sobre os papéis.
Rosangela Aliberti
Atibaia, 29 de setembro de 2009.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
SEMANA DE ARTE DA COOPERIFA
.
Queridos,
Foi com muita honra e alegria que, neste sábado, recebemos um convite muito especial da Cooperifa, feito por intermédio de Lu Souza, nossa querida amiga e construtora de pontes. O convite é para participarmos do sarau da Semana de Arte da Cooperifa no CEU Campo Limpo, às 18:00 horas do sábado dia 24 de Outubro de 2009. E, de quebra, para realizarmos a criação do Rascunhos Poéticos no CEU Campo Limpo em paralelo à feira de livros que rolará por lá.
Grande honra e grande responsa !
Neste meio tempo, de hoje até 24 de Outubro, informaremos a programação da Semana de Arte aqui pelo blog e marcaremos presença em mais esta grande iniciativa da Cooperifa.
Salve Sergio Vaz, grande guerreiro !
Bjs e abçs
Carlos Savasini
Queridos,
Foi com muita honra e alegria que, neste sábado, recebemos um convite muito especial da Cooperifa, feito por intermédio de Lu Souza, nossa querida amiga e construtora de pontes. O convite é para participarmos do sarau da Semana de Arte da Cooperifa no CEU Campo Limpo, às 18:00 horas do sábado dia 24 de Outubro de 2009. E, de quebra, para realizarmos a criação do Rascunhos Poéticos no CEU Campo Limpo em paralelo à feira de livros que rolará por lá.
Grande honra e grande responsa !
Neste meio tempo, de hoje até 24 de Outubro, informaremos a programação da Semana de Arte aqui pelo blog e marcaremos presença em mais esta grande iniciativa da Cooperifa.
Salve Sergio Vaz, grande guerreiro !
Bjs e abçs
Carlos Savasini
domingo, 27 de setembro de 2009
TEMAS - 26/09/2009
Pessoas,
.
Os temas deste sábado foram sugestão de nosso amigo, poeta e parceiro de Rascunhos Poéticos, Cesar Veneziani. Os temas foram de Maria Júlia Pontes, Ruy Villani e Larissa Marques, todos poetas vivos que convivem fisicamente e virtualmente nos saraus reais da vida e nos mundos e sub-mundos virtuais da poesia internet afora. Foram eles que nos provocaram com suas obras nesta tarde e noite de sábado.
.
Agora só falta você !
.
LÍNGUA
Maria Júlia Pontes
Língua solta sem rodeios
indaga sem medo
a que veio?
Língua pres
a cala seco
a dor das ruas
as mortes nos becos,
Língua quente
um ópio, um vício
transforma o prazer
em seu único ofício,
Língua fria
profere nos palcos
o que não acredita,
Maldita!
Língua santa
espalha bálsamo
um doce alento
diluindo o tormento,
Língua sua
me lambe, entorpece
em gozo frenético
meu corpo padece,
Minha língua na sua, solta,
meu corpo no seu preso,
e nunca esfria,
Eu sei não sou santa,
então eu me rendo
a sua língua vadia.
in "Língua - Expressões Poéticas", THS Arantes Editora, 2008, pg 25 e 26
.
DOIS ANJOS
Ruy Villani
Meus anjos da guarda são dois. Um fala agora, o outro depois.
Este que agora fala e toma a mão e a caneta, gaante um momento justo, com texto de opereta e junta rimas a esmo ou aforismos vulgares, que vêm de tantos lugares que nem os anjos se lembram, mas tocam em frente o processo.
- Escreva-se outro verso!
E minha mão obedece cegamente, comportada, e mesmo que nao diga nada, no fim o texto me intriga. O outro anjo me escuta, pondera, discute comigo, aconselha como amigo a escolher cada palavra, evitando o perigo de registrar cegamente as coisas que vêm à mente e comprometem depois. Eu tenho muitos amigos, mas anjos da guarda só dois.
Um deles volta à carga e me mantém escrevendo e fumando e bebendo. Sou só o seu instrumento de mensagens imediatas, e conclusões provisórias que, se não contam histórias, também não são um lamento. Mais uma vez, protegido, retorno à consciência. Deus salve a providência de me dar tais companhias. Tenho uma história simples, uma família normal, tenho amigos, colegas e um afeto especial. Tenho coisas diferentes, às vezes incompatíveis, milhares de neurônios e um violão meio velho que comigo se indispôs. Tenho um milhão de motivos, mas, anjos da guarda, só dois.
Rogo pragas criativas: "pedaço de asno", xingo. No sábado ou no domingo e às vezes pela semana, digo que vou à merda e ofereço carona. Mas me comporto direito. Se me falhar a caneta, levanto e vou à gaveta. Paro no bar, me abasteço, me dou tudo o que mereço e não reclamo depois. Eu tenho meuitos defeitos, mas anjos da guarda, só dois.
Me rendo à fadiga do corpo, à meditação necessária. Paro, limpo a àrea e vou descansar, finalmente. Acendo o último cigarro, procuro o último gole. Viver assim não é mole, mas tudo sempre se encontra no lugar onde se pôs.
Vamos dormir. Boa noite. Eu e meus anjos. Os dois.
in "Bar do Escritor - Coletânea", LGE Editora, 2009, pg 54 e 55
.
SEGUNDA ELEGIA
Larissa Marques
o homem perturbado
dialoga com a vida
e há quem diga
que é um baseado
ou que é heroína
mas ele encena
a luta diária
de se dar por nada, na perda
no movimento dos outros.
o homem entende
com seus olhos invertidos
vê o que ninguém mais consegue
enxuga seus lábios tardios
enfastiados de agonia
para tentar ser feliz
vomita Euclides da Cunha
e drogas ilícitas
para se livrar das grades.
o homem interna-se
só há grades nos outros
no mundo e em si
no retrair do músculo
na tensa paz vazia
nas ocupações diárias
tenta ser livre
e solta seu verbo
na Jaceguai.
o homem olha-se
e não se vê completo
vê-se coagido e liberto
e dança parado
com a fumaça do fumo
e se vai com ela
como se fosse o único
a ver, a sentir, amar e perder
tudo que desejou na vida.
in "O Oco e o Homem", Editora Kelps, 2007, pg 40 e 41
.
Bjs e abçs
Carlos Savasini
.
FOTOS - 26/09/2009
Pessoas,
.
Poesia é sempre bom demais : vive além dos corpos e sobrevive junto às pessoas que nela acreditam e por ela fazem arte. Amo todos vocês !
.
Beijos e abraços,
Carlos Savasini
.
Prece
CESAR VENEZIANI
o homem se sonha é louco
se pensa é frio
onde estará o bom senso coletivo
que motive o indivíduo
e que não fira a sociedade
na verdade o bem pessoal
vira mal aos outros
que vêem na busca da felicidade
desafio ao sofrer por igual
e o diferente de repente
é inimigo que se evita
objetivo que se esquece
fé que prescinde a prece
o homem se sonha é louco
se pensa é frio
onde estará o bom senso coletivo
que motive o indivíduo
e que não fira a sociedade
na verdade o bem pessoal
vira mal aos outros
que vêem na busca da felicidade
desafio ao sofrer por igual
e o diferente de repente
é inimigo que se evita
objetivo que se esquece
fé que prescinde a prece
Nos meus sonhos
CESAR VENEZIANI
Quando tenho uma dúvida engasgada na garganta, faço uma caminhada buscando a solução. E surgem, sem convite, o sim e o não, a impor limite, por puro comflito. E o mito se materializa: o anjo num ombro e o capeta no outro!
E a confusão se instala. Um fala: "Seja justo, não magoe ninguém!". O outro grita: "Insista, você tem direito também!"
Eu, no meio dessa discussão, sigo na indecisão. Sento no banco da praça e rio da ameaça de um para com o outro. Fecho os olhos, me ditraio, enquanto a briga se acirra a tal ponto que saio sem ser notado.
Aliviado, sigo, ainda sem resultado, mas levo leve minha paz, enquanto anjo e demônio, sim e não, bem e mal, lutam, indiferentes, por simples vaidade.
E eu já fui tarde!!!
Quando tenho uma dúvida engasgada na garganta, faço uma caminhada buscando a solução. E surgem, sem convite, o sim e o não, a impor limite, por puro comflito. E o mito se materializa: o anjo num ombro e o capeta no outro!
E a confusão se instala. Um fala: "Seja justo, não magoe ninguém!". O outro grita: "Insista, você tem direito também!"
Eu, no meio dessa discussão, sigo na indecisão. Sento no banco da praça e rio da ameaça de um para com o outro. Fecho os olhos, me ditraio, enquanto a briga se acirra a tal ponto que saio sem ser notado.
Aliviado, sigo, ainda sem resultado, mas levo leve minha paz, enquanto anjo e demônio, sim e não, bem e mal, lutam, indiferentes, por simples vaidade.
E eu já fui tarde!!!
Língua
CESAR VENEZIANI
laço
que une almas no beijo
arco
que lança setas à maçã na cabeça
faca
que corta e perfura face à face
espada
que mutila em nome da honra
revolver
que completa a tocaia
metralhadora
que dispara mil palavras por minuto
a língua é arma de amor ou luto
laço
que une almas no beijo
arco
que lança setas à maçã na cabeça
faca
que corta e perfura face à face
espada
que mutila em nome da honra
revolver
que completa a tocaia
metralhadora
que dispara mil palavras por minuto
a língua é arma de amor ou luto
COMO TE CONTEMPLO!
Olá, galera! Aqui um soneto meu mostrando a vertente sacra da poesia retrô. O vídeo está no final
COMO TE CONTEMPLO!
Ah! Como eu te admiro! Como te contemplo!
Tu disseste sim ao nosso Deus Senhor
Foste tu o belíssimo e sublime templo
Em que foi gerado o Filho Salvador
Quero seguir tuas frases e teu exemplo!
Eis aqui o menor servo do Redentor...
Ah! Como eu te admiro! Como te contemplo!
Minha alma engrandece ao Deus do grande amor...
Eu, que nem o amor de meus próximos tive
Descobri um amável pai chamado Deus
E que minha Mãe Santíssima em mim vive
Jesus, seguirei pra sempre os passos teus
Pela obediência, pobreza e pureza
Pra viver na mais triunfante nobreza!
ROMMEL WERNECK
MINHA PÁGINA NO RECANTO DAS LETRAS
BLOG POESIA RETRÔSimplificamos o endereço, mas a poesia continua sendo a de sempre
COMO TE CONTEMPLO!
http://www.youtube.com/watch?v=PTFuSfkzCYc
COMO TE CONTEMPLO!
Ah! Como eu te admiro! Como te contemplo!
Tu disseste sim ao nosso Deus Senhor
Foste tu o belíssimo e sublime templo
Em que foi gerado o Filho Salvador
Quero seguir tuas frases e teu exemplo!
Eis aqui o menor servo do Redentor...
Ah! Como eu te admiro! Como te contemplo!
Minha alma engrandece ao Deus do grande amor...
Eu, que nem o amor de meus próximos tive
Descobri um amável pai chamado Deus
E que minha Mãe Santíssima em mim vive
Jesus, seguirei pra sempre os passos teus
Pela obediência, pobreza e pureza
Pra viver na mais triunfante nobreza!
ROMMEL WERNECK
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COMO TE CONTEMPLO!
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Sonetos
terça-feira, 22 de setembro de 2009
A TARDE DE ERNANI FRAGA
.
Quando a pessoa é estrela ninguém apaga, nem ofusca. Foi assim e cercado de estrelas que Ernani Fraga brilhou em plena tarde na Av Paulista. Nem o astro rei pode ofuscar a estrela deste poeta que revelou uma grande veia de dramaturgia na adaptação dos contos de Leonel Possatti para o teatro e na direção dos atores que tão fascinantemente bem deram vida aos contos de Eu Também Sou Maria.
.
Parabéns, Ernani : você enche-nos de alegria com tanto talento e amizade.
.
Parabéns, autor e atores, pelo espetáculo permitido e apresentado.
.
Parabéns, Martins Fontes, pela recepção tão importante para esta proposta.
.
Felizes, nós, que pudemos prestigiar este momento fantástico.
.
Bjs e abçs
Carlos Savasini.
.
FOTOS DE 19 - 09 - 2009
.
Pessoas,
.
Estas são as fotos do último sábado, dia em que fomos buscar os temas na fonte, na leitura dramática de Eu Também sou Maria, de Leonel Possatti, adaptação de Ernani Fraga e apresentação na Livraria Martins Fontes da Av Paulista.
.
Logo mais, fotos da memorável apresentação. Por hora, regalos de nossa criação.
.
Bjs e abçs
Carlos Savasini
.
FOTOS DE 12 - 09 - 2009
.
Galera,
Aí segue nossa iconografia de 12 de Setembro de 2009 : é nóis !
Bjs e abçs,
Savasini.
.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Zero Hora
CESAR VENEZIANI
Zero hora!
É agora
o primeiro instante
do restante
de nossas vidas...
Esqueças as águas passadas,
as mágosas sofridas.
Sabes aquilo que te é importante,
que sempre quisestes fazer?
Zero hora!
É agora
o começo do que te resta pra viver!
Não importa se bom ou ruim,
já que não fizestes teu começo,
faças teu fim!
Zero hora!
É agora
o primeiro instante
do restante
de nossas vidas...
Esqueças as águas passadas,
as mágosas sofridas.
Sabes aquilo que te é importante,
que sempre quisestes fazer?
Zero hora!
É agora
o começo do que te resta pra viver!
Não importa se bom ou ruim,
já que não fizestes teu começo,
faças teu fim!
Retrovisor
CESAR VENEZIANI
Olho no retrovisor do carro a cada 10 ou 15 segundos. Me assusta o que não vejo e pode me surpreender... É como uma colagem de curtas-metragens de terror, entre o nad e a ameaça: num instante um caminhão, noutro um ônibus ou um apressado que costura no trânsito ou alguém ao celular... E aquela moto, de onde surgiu?
(Barulho de freada! No retrovisor, o carro velho solta fumaça dos pneus.)
Pensei que ele não ia pa...
"O Reporter do Trânsito informa: automóvel passa o sinal vermelho e é colhido em cheio por uma van. O infrator teve morte instantânea. Na van, apenas o condutor e um dos passageiros tiveram escoriações leves. Entrevistamos o motorista do carro que estava logo atrás:
- Eu freei o carro no sinal amarelo, mas o maluco seguiu em frente!"
Olho no retrovisor do carro a cada 10 ou 15 segundos. Me assusta o que não vejo e pode me surpreender... É como uma colagem de curtas-metragens de terror, entre o nad e a ameaça: num instante um caminhão, noutro um ônibus ou um apressado que costura no trânsito ou alguém ao celular... E aquela moto, de onde surgiu?
(Barulho de freada! No retrovisor, o carro velho solta fumaça dos pneus.)
Pensei que ele não ia pa...
"O Reporter do Trânsito informa: automóvel passa o sinal vermelho e é colhido em cheio por uma van. O infrator teve morte instantânea. Na van, apenas o condutor e um dos passageiros tiveram escoriações leves. Entrevistamos o motorista do carro que estava logo atrás:
- Eu freei o carro no sinal amarelo, mas o maluco seguiu em frente!"
sábado, 19 de setembro de 2009
desvirginando o espaço
.
seus passos que os pés palmilhavam o calçamento
revelava a paixão dolorosa e mórbida pela vida num todo
mostrando à ele que não podia fazer nada a não ser aceitar
e vinha aceitando o que sua alma calejada recebia
mas certas ocasiões sentia-se fraquejar perigosamente
não porque quisesse ou porque suas forças se extinguiam
e sim porque a saudade lhe vinha num ímpeto feroz
jogando seu animo a beira do poço pronto a se desequilibrar
nesses momentos recorria a vileza de se embebedar
em braços alheios e em beijos quentes em noites frias
onde se agarrava em qualquer circunstancias que aparecesse
qualquer galho que o puxasse para fora do poço
e no momento que voltava dessa vileza esfuziante
se sentia o mais baixo dos seres existentes
o mais vil ladrão que sem piedade roubava carinhos
e afagos que nada lhe proporcionava
a não ser momentos de atroz prazeres
e para se recompor adequadamente lhe era terrível
expelir a parte negativa da experiência desastrosa
o que quase sempre sobrava parcela positiva
e nos dias seguintes prometia a si mesmo ser a ultima vez
que não mais se deixaria cair nessa tentação vil
o que não adiantava as promessas
dali uns dias ou semana seguinte estava ele novamente
á procura dos amores etílicos roubados a sombra
dos escombros dos prédios desvirginando o espaço
25.10.2002
pastorelli
seus passos que os pés palmilhavam o calçamento
revelava a paixão dolorosa e mórbida pela vida num todo
mostrando à ele que não podia fazer nada a não ser aceitar
e vinha aceitando o que sua alma calejada recebia
mas certas ocasiões sentia-se fraquejar perigosamente
não porque quisesse ou porque suas forças se extinguiam
e sim porque a saudade lhe vinha num ímpeto feroz
jogando seu animo a beira do poço pronto a se desequilibrar
nesses momentos recorria a vileza de se embebedar
em braços alheios e em beijos quentes em noites frias
onde se agarrava em qualquer circunstancias que aparecesse
qualquer galho que o puxasse para fora do poço
e no momento que voltava dessa vileza esfuziante
se sentia o mais baixo dos seres existentes
o mais vil ladrão que sem piedade roubava carinhos
e afagos que nada lhe proporcionava
a não ser momentos de atroz prazeres
e para se recompor adequadamente lhe era terrível
expelir a parte negativa da experiência desastrosa
o que quase sempre sobrava parcela positiva
e nos dias seguintes prometia a si mesmo ser a ultima vez
que não mais se deixaria cair nessa tentação vil
o que não adiantava as promessas
dali uns dias ou semana seguinte estava ele novamente
á procura dos amores etílicos roubados a sombra
dos escombros dos prédios desvirginando o espaço
25.10.2002
pastorelli
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
FOTOS DE 05 DE SETEMBRO DE 2009
.
Pois é : em pleno sábado de final de semana prolongado estavamos lá fazendo juz à poesia. Lá vão 50 cliques deste sábado delicioso.
.
Bjs e abçs
CS.
.
de novo pisamos
.
de novo pisamos
caminhos velhos
seguindo passadas
já caminhadas
de novo vemos
antigas reentrâncias
em algo que descobrimos
que nos pareça novo
de novo sentimos
mesmas sensações
mesmos sentires
impregnando o olfato
de novo nas mesmas
cadeiras sentamos
nossa bunda de podre
máquina humana
de novo as esperanças
acalentamos num sorriso
num bom dia recebido
na música abstrata
dos normais viventes
de novo os loucos
poetas dono das palavras
escrevem poemas velhos
renovados em linguagem
nova esgarçada e engajada
assim dia após dia
embrulhamos o dia
em papel diferente
disfarçando nossas
desilusões e frustrações
que como bons atores
desempenhamos
com perfeição
nossas funções
24.06.02
pastorelli
de novo pisamos
caminhos velhos
seguindo passadas
já caminhadas
de novo vemos
antigas reentrâncias
em algo que descobrimos
que nos pareça novo
de novo sentimos
mesmas sensações
mesmos sentires
impregnando o olfato
de novo nas mesmas
cadeiras sentamos
nossa bunda de podre
máquina humana
de novo as esperanças
acalentamos num sorriso
num bom dia recebido
na música abstrata
dos normais viventes
de novo os loucos
poetas dono das palavras
escrevem poemas velhos
renovados em linguagem
nova esgarçada e engajada
assim dia após dia
embrulhamos o dia
em papel diferente
disfarçando nossas
desilusões e frustrações
que como bons atores
desempenhamos
com perfeição
nossas funções
24.06.02
pastorelli
domingo, 6 de setembro de 2009
Templo
CESAR VENEZIANI
tal totem que o tempo transforma
em telúrica eternidade
és meu sentimento tímido tácito
repleto de contornos e conteúdos
recito-te mantra e o manto etéreo
torna quente meu solitário quotidiano
templo restrito à minha tonta mente
te espero pacientemente
atingir o status de ser vivente
turgindo o etéreo
atando tantas tentativas anteriores
até a ternura triunfante
tal totem que o tempo transforma
em telúrica eternidade
és meu sentimento tímido tácito
repleto de contornos e conteúdos
recito-te mantra e o manto etéreo
torna quente meu solitário quotidiano
templo restrito à minha tonta mente
te espero pacientemente
atingir o status de ser vivente
turgindo o etéreo
atando tantas tentativas anteriores
até a ternura triunfante
Rio Ganges
CESAR VENEZIANI
a neve derrete e escorre
nas águas do Rio Ganges
sede e fome se vão e a esperança vem
nas águas do Rio Ganges
a busca da pureza não tem castas
nas águas do Rio Ganges
o recém nascido chega e o morto se vai
nas águas do Rio Ganges
uma cultura milenar defeca
nas águas do Rio Ganges
a neve derrete e escorre
nas águas do Rio Ganges
sede e fome se vão e a esperança vem
nas águas do Rio Ganges
a busca da pureza não tem castas
nas águas do Rio Ganges
o recém nascido chega e o morto se vai
nas águas do Rio Ganges
uma cultura milenar defeca
nas águas do Rio Ganges
Ìndia
CESAR VENEZIANI
o rio é sagrado
a vaca é sagrada
o macaco é sagrado
o rato é sagrado
e a vida
em castas dividida
é epenas karma
o rio é sagrado
a vaca é sagrada
o macaco é sagrado
o rato é sagrado
e a vida
em castas dividida
é epenas karma
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